domingo, 24 de dezembro de 2017

O que aprendi sobre Gestão de Pessoas

O ano de 2017 está se encerrando e deixará boas lições para mim. Neste ano concluí um curso de especialização lato sensu e pude atualizar teorias e técnicas aprendidas na graduação. Chamou a minha atenção minha própria transformação ao longo dos últimos anos, especificamente quanto à forma como eu enxergava um trabalhador dentro de uma empresa e à forma como eu acreditava que deveria ser a gestão de pessoas. Quando me formei em Administração de Empresas há alguns anos, o ensino era mais técnico do que humanizado. Os tempos eram outros. As tecnologias e os estudos eram outros, tudo mudou muito rápido. E continua mudando. Tive boa formação quanto a conteúdos e elogio a instituição de ensino e os professores que me formaram. Hoje posso fazer um comparativo da graduação com as especializações e com as empresas por onde passei.

Na época que me formei a grade curricular do curso de Administração de Empresas era sim mais técnica e conteudista, com poucas disciplinas que trabalhavam temas biopsicossociais como inteligência emocional, múltiplas inteligências, psicologia positiva, teorias da personalidade, motivação, coaching, espiritualidade, psicologia organizacional, estresse organizacional, saúde mental do trabalhador etc. Ressalvas e justificativas aqui porque alguns desses estudos são recentes na gestão de pessoas. Havia sim algumas disciplinas na faculdade com esse viés e professores mais humanos que ensinavam abordagens menos tecnicistas, mas me formei – entre os melhores da minha turma – com impressão de que as técnicas, os resultados e os fatos eram mais importantes do que meras subjetividades dos empregados. Na faculdade já atuava na área de gestão e me lembro que cheguei a assumir o cargo de liderança na empresa onde trabalhava. Hoje quando eu olho para trás e lembro dos meus pensamentos, falas e da forma como eu conduzia a gestão da minha equipe, eu fico surpreso como eu conseguia resultados. Era demasiadamente técnico. Rígido. Pendia para uma liderança autocrática. Não dava feedbacks. Não havia muito espaço para diálogos que distanciassem do trabalho em si e demostrava pouco ou nenhum interesse pela vida particular da equipe. Também não abria a minha! Me importavam as metas, o esforço individual de cada um e os nossos resultados alcançados. Punições disciplinares rolavam a rodo e pelos corredores me chamavam de “sargentão”. Sai com essa postura e exatamente com essa mentalidade de gestão de pessoas da faculdade. E não estou aqui apontando culpados, claro que também contribuiu eu ter uma personalidade mais racional e ter um estilo mais técnico e especialista. Mas hoje eu penso diferente. Hoje eu posso ser diferente! 

Às vezes eu escorrego por conta da minha personalidade mais analítica, mas venho tentando moldar meu comportamento. Tanto no MBA de Recursos Humanos, quanto na especialização de Psicologia Organizacional, adquiri conhecimentos e competências comportamentais diferentes e muitas vezes sou capaz de me policiar quando estou interagindo com um grupo. Diferentemente do passado, eu já tenho consciência e começo a me monitorar. Eu sei que tenho uma tendência a racionalizar a situação e a me distanciar dos envolvidos e do fato, mas posso usar a inteligência emocional e trabalhar com uma liderança situacional. Existe uma gama de estilos de liderança, não só para cada situação, como para cada funcionário. E hoje eu tento trabalhar com essa filosofia na empresa, adequando abordagens, falas e comportamentos à quem vou me dirigir. O que antes eu veria como politicagem ou até falsidade, hoje sei que se chama inteligência emocional. É adequar abordagens diferentes à pessoas diferentes, para obtermos um objetivo comum, o resultado esperado. Aqui não entram ego, orgulho e razão, o importante é atingirmos o resultado da melhor forma para a empresa, e para isso é preciso sim saber falar, conversar, argumentar e às vezes até negociar com as pessoas. Nas minhas pós-graduações o viés do aprendizado, seguindo obviamente a tendência dos dias atuais, é mais ligado às questões biopsicossociais do que às ferramentas exatas. Hoje já se sabe que na gestão de pessoas se usam as ferramentas da Exatas como suporte, os ferramentais principais serão a inteligência emocional e as estratégicas psicológicas. Não existe forma exata para lidar com pessoas.

Na psicologia se sabe que existem estágios de autoconsciência de comportamentos. Agimos muitas vezes sem pensar e sem perceber. Num primeiro estágio é inconsciente, você não tem controle, não percebe o que faz, quando faz e o impacto disso nas outras pessoas. Já num segundo momento, se você começa a se autoanalisar, você passa a ter consciência do que acontece sem ter ainda controle, só percebe quando já agiu. Mas se você continua se autoanalisando, com o tempo você passa a ganhar mais controle de si e começa a se perceber antes do comportamento acontecer. Até chegar o momento que você tem consciência e controle do que acontece e pode decidir por agir ou não. O próximo estágio, e o mais esperado, é a capacidade empática tal que você possa fazer a leitura no outro, porque se você conseguir antever, antecipar, prever uma reação da outra pessoa para uma determinada situação, você antecipadamente se molda no relacionamento para obter desta pessoa o melhor resultado para a situação. Isso é inteligência emocional! O primeiro passo para você chegar até aqui é o autoconhecimento, pois não tem como você ler o outro se você não for capaz de ler a si mesmo antes. 

Tenho muito a aprender ainda. Estou aberto para continuar aprendendo sempre. Sou grato a todas as pessoas que me ensinaram e vêm me ensinando até hoje, seja na graduação, nas pós-graduações, nas empresas por onde passei.

Feliz natal. Fiz ano novo. Um 2018 repleto de saúde, sucesso e paz a todos nós.

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